Editorial (Junho 2019)

Há quase meio século tinha início, a 5 de Junho, a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente.

Naquele ano de 1972, a ONU já assumia como desígnio a necessidade de «defender e melhorar o meio ambiente para as atuais e futuras gerações», enquanto «meta fundamental para a humanidade.» Inaudita percepção tiveram, então, os representantes e especialistas das nações, reunidos em Estocolmo…

E para celebrar aquele encontro, tão pertinente como atento, o Ambiente é a temática que integra as diversas páginas desta edição do Dissonâncias. Não se deseja colocar a “coisa negra”, como parece agradar a muitos militantes do infortúnio, nem tão pouco parece sensato dar vez a quem proclama maravilhas, sobre o actual momento ambiental. A sensatez solicita razão e ética; no fundo, seriedade quando se fala de uma «meta fundamental» (utilizando a expressão da conferência de Estocolmo) para a continuidade da Humanidade.

Quando tratamos de preservar a nossa estância na Terra, não podemos renegar o respeito por toda a Natureza, que nos acolheu, a todos e cada um de nós, de modo prazenteiro e gratuito. Tudo não passará de uma ilusória aventura, quando nos deixarmos embalar pelo canto de sereia que pretende afirmar tempos de desequilíbrio no comportamento do Planeta como “naturais”.

«Inspirar e guiar os povos do mundo para a preservação e a melhoria do ambiente humano», sábia decisão assumida naquele dia 5 de Junho de 1972, e que hoje se actualiza num relatório, aprovado dia 4 de Maio passado, em Paris, pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos, estrutura científica da ONU que nos coloca de sobreaviso: um milhão de espécies animais e vegetais do Planeta correm perigo iminente de desaparecimento…

Consciencializar, maturar e agir. Poderíamos enunciar assim as propostas que encontramos nas diversas secções do Dissonâncias, e que, por isso mesmo, se apresenta na abertura com o vídeo Floresta, a solução esquecida. Talvez já o tenhamos visto; todavia, a proposta é que ele nos sensibilize para o programa desta edição: cuidar, cuidar e cuidar do Ambiente.

As notas apresentadas em Simplicidade Voluntária, ou ainda a explicitação oferecida na secção Terceiro Planeta, revelam-se auxílios para assumir um compromisso com a casa que nos acolhe. E enquanto os apontamentos em De vão de escada nos conduzem a um olhar crítico sobre o panorama inútil dos atentados ao Ambiente, também a reflexão sobre o que declaram, em matéria ecológica, os manifestos eleitorais dos partidos políticos portugueses que conseguiram assento no Parlamento Europeu, a 26 de Maio passado, poderá avaliar o nível de compromisso da Política à Portuguesa

Outro compromisso é o que nos propõe a TROCA – plataforma por um comércio internacional justo. Ao dar-nos conta dos «privilégios para as empresas transnacionais que lhes permitem contornar os sistemas de justiça nacionais e a Democracia», mobiliza-nos a tomar conhecimento do absurdo que é a legislação favorável à impunidade daquelas empresas «quando existem violações dos Direitos Humanos (incluindo destruição ambiental).» É também a agir… em favor de uma vivência salutar.

Ponta do Iceberg (Junho 2019)

«As políticas [de defesa do Ambiente] adotadas e implementadas pela UE [União Europeia] têm atualmente um impacto substancialmente mais destrutivo que regenerador.»

O partido político português que se atreveu à denúncia, no manifesto eleitoral para as Europeias 2019, foi precisamente o que conseguiu colocar o seu primeiro eurodeputado em Bruxelas. O Partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN) irá agora ter a possibilidade de avançar com algumas das suas propostas mais ousadas, feitas durante a campanha eleitoral, como a da inversão do facto de «o investimento de bancos na manutenção», classificado pelo PANde sistema «produtivista, intensivo e massificado» que, tal como a produção petrolífera e outras actividades económicas, favorece «a expansão da poluição atmosférica, terrestre e marinha, tal como a redução ou mesmo extinção de espécies vegetais e animais são alguns dos exemplos de como caminhamos para a sexta extinção em massa».

Observar as propostas sobre o Ambiente, dos partidos portugueses que obtiveram assento no Parlamento Europeu (PE), é genericamente desincentivador por se apresentarem fluidas no que respeita ao concrecto, ao que toca em absoluto no quotidiano… Tomemos em atenção o que sugere o Partido Socialista (PS) – o partido que obteve o maior número de lugares no PE, nove eurodeputados.

«O Novo Contrato Social de que a Europa precisa deve envolver, também, um renovado compromisso e uma reforçada ambição em termos de inovação e sustentabilidade para ganhar os desafios do futuro.» Assim inicia o manifesto eleitoral do PS, no que respeita a «uma nova agenda para a inovação e a sustentabilidade». Não se excedendo em compromissos, os socialistas portugueses oferece como prognóstico «uma grande aposta dos investimentos europeus na investigação e desenvolvimento, na modernização tecnológica e na qualificação dos recursos humanos».

Da parte de um partido que é Governo há quase uma legislatura, o seu manifesto eleitoral não ultrapassa o anúncio de conceptualizações, por um lado já gastas por serem repetidas e, por outro, por não terem o carácter de desígnios concrectos a colocar no hemiciclo da Europa. Anote-se, por exemplo, que quanto aos conhecidos Acordos de Paris, (ainda sem cumprimento legislativo por parte da Europa), o PS (re)afirma o que, inúmeras vezes já se escutou: a necessidade de honrar os compromissos assumidos naquele encontro, na capital francesa em 2015, realizado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), e que aponta medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020. Como sabemos, aquelas medidas encontram-se em total incumprimento, por parte dos países-membros da EU.

E se entre os parcos itens do manifesto socialista vislumbramos, por exemplo, um que chama mais a atenção, pela sua urgência de actualidade – «Reforçar a capacidade de resposta europeia às catástrofes naturais e ambientais, incluindo por via de um verdadeiro sistema europeu de proteção civil» -, logo se conclui que não concrectiza o que se entende por «capacidade de resposta», nem mesmo de que se trata quando se refere «um verdadeiro sistema europeu de protecção civil…

«Há um conjunto de áreas onde Portugal pode perfeitamente liderar a Economia do Mar a nível europeu e internacional e a médio prazo. É o caso da construção de infraestruturas offshore, seja para a aquacultura em mar aberto, seja para a utilização no aproveitamento de energias renováveis, ou a criação de centros de desenvolvimento tecnológico.»

O desígnio pertence ao partido português que, depois do 25 de Abril, abriu a primeira janela de possibilidade à integração do país na EU, então ainda designada por Comunidade Económica Europeia. A inovação de 1974 do então Centro Democrático Social (agora designado CDS/PP), não encontra respaldo na proposta ambiental feita para as Europeias deste ano. O CDS/PP, privilegiando «o Mar e a ‘Economia Azul’» como ideia central, começa por integrar no seu manifesto uma medida controversa em diversos ambientes políticos da Europa: as empresas offshores, enquanto motores de desenvolvimento económico e, mesmo, social.

A proposta, colocada no sítio de internet do partido, apresenta como pano fundo estratégico a questão financeira e económica, ao nível empresarial, enquanto paradigma da resolução dos problemas ao nível do Ambiente, considerando mesmo que «o conhecimento científico e tecnológico é central para o incremento da Economia do Mar». E se de facto não se pode negar a afirmativa, também não é menos certo que integrar a «Economia Azul», a partir de um único patamar – o sector financeiro e empresarial – é desligar as questões ambientais de uma questão soberana: a responsabilidade do(s) Estado(s) no que se refere ao bem-estar social e ao desenvolvimento saudável das populações, adstrito à fruição da Natureza.

Mesmo concordando com Yvon Slingenberg, a coordenadora de relações internacionais na Direcção-Geral de Acção Climática da Comissão Europeia, quando ela afirmou a jornalistas (no âmbito da Conferência Europeia de Adaptação às Alterações Climáticas, que decorreu em Lisboa entre 28 e 30 deste mês) que o sector empresarial se revela preponderante para o cumprimento da meta de impedir a subida das temperaturas mais de 1,5 graus, até 2030, como decorre dos compromissos dos países com a ONU, há ainda a considerar que a componente política, ao nível da investigação científica e de desígnio legislativo e estrutural, não pode ser retirada aos Governos a posição, e responsabilidade, de “pivots” das mudanças necessárias, e urgentes, a nível ambiental…

Tanto mais se torna notória uma adequada atitude de boa governança, como anota o Bloco de Esquerda (BE) nas suas propostas eleitorais para as Europeias 2019, quando reconhece que «a coordenação de políticas europeias, indispensável à concretização dos compromissos a que a UE se obrigou, é praticamente inexistente.» O partido, que conseguiu eleger mais um eurodeputado (ficando com dois), não deixa mesmo de salientar uma insuficiente regulação, por parte da UE nesta matéria, e que se transforma «num benefício aos infratores, ou seja, aos Estados menos empenhados.». Ou seja, assumimos nós, aos Estados mais permissivos para com o sector empresarial.

Aliás, nas suas propostas eleitorais no que toca ao Ambiente, o BE privilegia sublinhar a existência de «medidas que atacam os rendimentos das famílias», dando o exemplo concrecto de França, onde foi aplicado um “imposto verde”, «colocando todo o ónus da mudança nos consumidores», enquanto «nada é exigido às empresas mais poluentes».

Denunciando que a UE continua «a financiar projetos de investimento em energias fósseis, nomeadamente os 90 projectos de infraestruturas de gás, portuárias e de transporte [sem todavia se identificarem] que foram recentemente considerados Projetos de Interesse Comunitário», o BE reconhece neste tipo de decisões «a falta de compromisso com a transição energética», por parte das instituições comunitárias.

Pelo contrário, o Partido Social Democrata (PSD) alinha numa confiança nas orientações e soluções da UE para o Ambiente. «O PSD apoia incondicionalmente o papel liderante da UE na agenda de combate às mudanças climáticas». Assim o confirma a intencionalidade do negrito colocado nesta frase, e que surge logo do primeiro parágrafo do manifesto eleitoral do partido.

Os social-democratas são ainda os únicos a explicitar a sua aproximação aos anseios dos movimentos juvenis, ao declarar-se unido «umbilicalmente à luta das gerações jovens neste domínio [as alterações climáticas]». São eles igualmente quem desenvolve no seu programa eleitoral das Europeias 2019 um maior número de itens, no que respeita ao Ambiente, defendendo, por exemplo, que «a UE deve liderar a transição da economia linear para a economia cir­cular e hipocarbónica», propondo mesmo a criação de «projetos piloto na área da econo­mia circular, em sectores como a construção civil, a metalomecânica ou a agricultura». Sobre «o desenvolvimento de regiões de carbono neutro» propõe-se o encaminhamento de «fundos europeus estruturais e de investimento para soluções sustentáveis».

O PSD apresenta ainda razões para «uma aposta na silvicultura e na valorização e ordenamento das nossas florestas», capaz de garantir «a sus­tentabilidade ambiental e o combate aos incêndios». E a propósito aponta o manifesto eleitoral social-democrata: «Deve ser realçado o papel de ‘sumidouro de CO2’, combinando a biomassa com tecnologias de ponta, como é o caso do CCU (Carbon Storage and Utilisation), por forma a desenvolver siste­mas com balanço negativo de CO2.»

Por seu turno, o Partido Comunista Português (PCP) – o único partido que sustenta uma coligação com um outro, oficialmente designado de ecologista, Os Verdes – não vai muito além de uma dezenas de linhas no «apelo comum» com a outra formação política. Titulado «Por uma Europa de progresso económico e social e ecologicamente sustentável», o documento não se agiganta em muitas considerações sobre a problemática ambiental, mantendo um tom retórico de desejos, como por exemplo: que sejam tomadas «medidas radicais contra as alterações climáticas, ao mesmo tempo que assegura a justiça social», ou ainda que se defenda «o carácter público dos sectores estratégicos de cada país e apoie as pequenas e médias empresas» …

Parecendo insuficientemente incisivas e, ainda, recuadas no que concerne à profundidade que o tema revela, diante da realidade que todo o Planeta, e naturalmente toda Humanidade, os partidos portugueses que obtiveram lugares no Parlamento Europeu, no passado dia 26, não se destacam pela atitude de convicção, no que diz respeito ao Ambiente.

Merece referência um aviso de Yvon Slingenberg, ainda no âmbito da agora realizada, em Lisboa, Conferência Europeia de Adaptação às Alterações Climáticas: «É verdade que estando [a UE] no pelotão da frente, os compromissos que assumimos hoje não são suficientes para impedir as temperaturas de subirem mais de 1,5ºC».

Os constantes desvios do clima e as insuficiências reiteradas que a Natureza, assim o demonstram… retenha-se o nosso olhar, por exemplo, no avisado conteúdo do livro de Viriato Soromenho-Marques, sobre uma UE «mergulhada numa perigosa crise existencial, que se arrasta demasiado tempo.» Ver na secção À MARGEM recensão a DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação.

Simplicidade Voluntária

A Terra é um sistema único e estreitamente interligado. Tanto a ecologia natural da Terra como a ecologia social das relações humanas estão em risco profundo.(Duane Elgin)

“A simplicidade é a derradeira sofisticação”. (Leonardo da Vinci)

“Optamos por viver simplesmente para que os outros possam simplesmente viver”. (Gandhi)

O direito à vida, contemplado no artigo 3.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, encontra-se comprometido face às alterações climáticas, à degradação ambiental, à destruição das florestas, à finitude dos recursos naturais, à extinção de espécies, à falta de água, às colheitas fracassadas,  Foi excedida a capacidade da Terra para sustentar os actuais níveis de consumo. Acrescente-se o crescimento demográfico acelerado, segundo as projecções da ONU em 2050 irá atingir-se um máximo de 9,6 mil milhões de pessoas (actualmente já somos 7,2 mil milhões) e a consequente pressão que isso terá sobre os recursos naturais, a biodiversidade, a poluição, o aquecimento global. Se o quadro actual é crítico, tornar-se-á rapidamente insustentável. (https://www.unric.org/pt/actualidade/31160-relatorio-das-nacoes-unidas-estimaque-a-populacao-mundial-alcance-os-96-mil-milhoes-em-2050-)

A Comissão Europeia estabelece como causas das alterações climáticas “o impacto das actividades humanas, nomeadamente a queima de combustíveis fósseis, o abate da floresta tropical e a pecuária” (https://ec.europa.eu/clima/change/causes_pt), alertando que todas as regiões do globo estão a ser afectadas por essas alterações: “as calotas polares estão a derreter e o nível do mar está a subir. Em algumas regiões, os fenómenos meteorológicos extremos estão a tornar-se cada vez mais comuns e a pluviosidade está a aumentar, enquanto, noutras, as vagas de calor e as secas estão a agravar-se” (https://ec.europa.eu/clima/change/consequences_pt). E, de acordo com as previsões, esses impactos irão intensificar-se nas próximas décadas. A Europa, em concreto, tem vindo a registar com maior frequência vagas de calor, incêndios florestais e secas, com os inerentes efeitos na saúde humana e com pesados encargos para a sociedade, a economia, a fauna e flora.

Em consonância com o artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, como seres dotados de razão e de consciência, devemos agir uns para com os outros em espírito de fraternidade, significa isto, que cada um de nós é convocado a introduzir no seu quotidiano as mudanças que permitam um modo de vida sustentável, com sentido e viável, para nós, para as gerações vindouras e para todas as outras formas de vida. Mas atenção, precisamos mais do que as mudanças cosméticas exploradas e anunciadas pela indústria verde. O nosso estilo de vida precisa de ser reavaliado, são necessárias mudanças profundas, desafiadoras e criativas. E o tempo urge.

O escritor norte-americano, Duane Elgin (2010:33-35)  propõe um caminho: a simplicidade voluntária, uma escolha feita de modo livre e consciente, uma revolução sem líderes, pois cada pessoa assume o controlo da sua vida. A simplicidade significa: (1) “assumir o controlo de vidas demasiado atarefadas, stressadas e fragmentadas” e concentrar-se no essencial; (2) “optar por estilos de vida que tocam mais levemente na Terra e reduzem o nosso impacto ecológico” e aceitar “o facto de os reinos não humanos das plantas e dos animais também possuírem dignidade e direitos”; (3) “colocar o bem-estar da família à frente do materialismo e da aquisição de coisas” bem como “a qualidade e integridade das relações com os outros”; (4) “sentir uma tal proximidade com os outros” que suscite “a vontade de partilhar um caminho de cooperação e justiça que busca um futuro de desenvolvimento mutuamente assegurado para todos”; (5) “abordar a vida como uma meditação e cultivar a experiência de ligação directa com tudo o que existe. (…) A simplicidade da alma está mais preocupada com o saborear consciente da vida e das suas riquezas sem adornos do que com padrões especiais da vida material”; (6) reduzir “os gastos em tudo o que não serve verdadeiramente as nossas vidas e praticando uma gestão habilidosa das finanças pessoais, podemos alcançar maior independência financeira”. (…) Viver com menos também reduz o impacto do nosso consumo na Terra e liberta recursos para outros”.

A simplicidade é uma via para a sustentabilidade. Recorde-se que “o carácter de uma sociedade é o resultado cumulativo de incontáveis pequenas acções do dia-a-dia de milhões de pessoas. As mudanças pequenas que isoladamente parecem pouco importantes ganham um significado transformador quando são adoptadas por toda a sociedade” (Elgin, 2010: 46).

Bibliografia

Elgin, Duane (2010). Simplicidade Voluntária. Para um estilo de vida simples por fora e rico por dentro. Alfragide: Estrela Polar.

Website: https://duaneelgin.com/

Documentário: Do Mito da Abundância à Simplicidade Voluntária (52 min).

Estudos, números, e… conclusões: transformar as nossas acções, depois do “relatório de 6 de Maio”.

O relatório de 6 de Maio da ONU (ver no final do texto) expõe a urgência da protecção da Natureza e apela a transformações locais a globais para darmos, à Terra, a oportunidade de se (re)transformar, depois de décadas de acção humana no Ambiente de forma desmedida e inconsequente.

Porque é que este relatório é tão importante? Por duas razões principais: primeiro, porque as conclusões são muito claras e, segundo, porque as mesmas advêm de um número alargado de estudos robustos, isto é, que mostram os mesmos resultados usando técnicas e perspectivas diferentes, e elaborados por muitos cientistas  de áreas científicas distintas.

A PRINCIPAL CONCLUSÃO DO RELATÓRIO É ESTA:

Há cerca de 1 milhão de espécies em perigo de extinção, sendo este perigo eminente, para a maioria delas, nas próximas décadas.

Porque é que o que acontece aos outros (as espécies em causa), tem um impacto em nós? Para entendermos este impacto é importante percebermos um conceito fundamental sobre a vida na perspectiva biológica: todos os seres vivos estão interligados, como que numa rede sustentada pelas mesmas matérias, num equilíbrio de interdependência tal que é capaz de suportar todas a vida na Terra como a conhecemos.

Imaginemos uma teia de aranha, é frágil, mas por estar sustentada por muitos e incontáveis pontos e traços, torna-se segura e robusta.  E que acontece quando alguns daqueles pontos e traços começam a desaparecer? A teia começa por perder o equilíbrio, tomba, até que pode cair se a aranha não for rápida o suficiente a repará-la. Neste Dia Mundial do Ambiente, porque não fazermos uma reflexão sobre esta interligação, (nem sempre observável)?

Outras conclusões importantes do relatório da ONU, em síntese:

  • O declínio da biodiversidade e dos ecossistemas terá consequências no progresso económico-social (pobreza, fome, saúde, e outros) de cerca de 80 por cento da população humana. Isto mostra directamente qual o impacto da diminuição da biodiversidade na sociedade, em nós humanos, na nossa casa.
  • As perdas em ecossistemas intactos são mais evidentes em zonas tropicais, onde os níveis de biodiversidade mostram-se os mais altos do planeta, como por exemplo, nos recifes de corais que, embora só ocupem cerca de 1 por cento da Terra são os ecossistemas que, em proporção, carregam mais biodiversidade no mundo. Pode-se pensar em recifes de corais, como a maternidade ou o berçário da Terra.
  • As directivas actuais teriam de ser inovadoras a nível económico e político-social para chegarmos aos objectivos de sustentabilidade até 2030.

A boa notícia é que o relatório propõe acções e caminhos para atingirmos realmente os objectivos de sustentabilidade, incluindo as dos sectores da agricultura, dos sistemas marinhos e florestais, assim como o das áreas urbanas e de energia. Tudo isto tendo como base a conservação da biodiversidade através da gestão de recursos hídricos e costeiros.

Há mais pontos importantes e expostos com muita clareza no relatório. E essa é mais uma razão pela qual este documento é tão importante: consegue expor de forma simples, clara e ilustrativa uma série de conceitos e problemáticas complexas, podendo assim a mensagem chegar a mais pessoas. Na verdade, todos temos em mãos a capacidade de mudar e de transformar do que tanto se fala neste relatório, que por sua vez foi preparado por mãos tão humanas como as de qualquer um de nós.

A Organização das Nações Unidas – através da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos –, aprovou, no dia 6 de Maio passado, um relatório sobre a actual situação de conservação da Natureza. Resultado de um inédito estudo realizado, nos últimos três anos, por 145 investigadores de 50 países.

Avaliando as mudanças nas últimas cinco décadas, oferece ainda vários cenários possíveis para as próximas décadas, diante de um facto comprovado que aponta para a extinção de um milhão de espécies animais e vegetais, em poucas décadas…

Consultar:

https://news.un.org/pt/story/2019/05/1670971

De vão-de-escada (Junho 2019)

Portugueses têm níveis 20 vezes superiores de Glifosato no sangue que outros europeus

Um estudo realizado com 26 voluntários portugueses, das regiões Norte e Centro do País, detectou a presença do herbicida Glifosato considerado “potencialmente cancerígeno” – na urina de todos os participantes, sendo que a concentração média foi de 26,2 mg/l por pessoa, cerca de “20 vezes superior” às que são encontradas, por exemplo, em cidadãos suíços e alemães. As conclusões foram apresentadas na reportagem “Erva Daninha” da RTP1. O glifosato é o herbicida mais vendido em Portugal. Este herbicida foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto. Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam o glifosato (como, por exemplo, a Bayer). É um herbicida  total, não selectivo – o que quer dizer que mata qualquer tipo de planta (https://lusopt2016.blogspot.com/2018/08/portugueses-tem-niveis-20-vezes.html)

Portugal está “a viver de água que não tem”

A Associação Natureza Portugal, que representa a WWF, no país, alerta para má gestão e desperdício no consumo de água em Portugal, e faz recomendações a políticos, empresas e cidadãos, para inverter a situação. (…) Sublinhando que Portugal se encontra “parcialmente em situação de seca, devido a anos pouco chuvosos”, situação que é “agravada pelas alterações climáticas” (…).https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/portugal-esta-a-viver-de-agua-que-nao-tem-447602

Concentração de CO2 na atmosfera é a mais alta na história da humanidade

Nunca a concentração de CO2 na atmosfera foi tão elevada, revelam os dados registados este domingo pelo Observatório Mauna Loa, no Havaí. A medição – superior a 415 partes por milhão (ppm) – supera qualquer outro registo obtido nos últimos 800.000 anos, ou seja, desde antes da evolução do homo sapiens. (…) Os efeitos dos altos níveis de CO2 na atmosfera são devastadores, por impedirem o ciclo de arrefecimento natural da Terra. A libertação de CO2 e outros gases com efeito de estufa já levou a um aumento de um grau nas temperaturas globais e provavelmente implicarão um novo aumento, se não forem tomadas ações imediatas mais drásticas. (https://expresso.pt/sociedade/2019-05-13-Concentracao-de-CO2-na-atmosfera-e-a-mais-alta-na-historia-da-humanidade#gs.ed2ea9)

Rios secos, terra árida: o aquecimento global leva ao suicídio agricultores indianos

Nos últimos 30 anos, quase 60 mil agricultores indianos retiraram a própria vida em consequência das alterações climáticas. Após vários anos de colheitas falhadas e de sucessivos créditos insolventes, o agricultor indiano Radha Krishna não encontrou outra saída. Em 2017, em Ammangudi, diante do banco onde contraiu os referidos empréstimos, ingeriu o mesmo pesticida que utilizara no último plantio. Teve uma morte lenta e agonizante. (…) O que está no cerne do problema? A explicação pode não parecer óbvia, mas o fotógrafo Federico Borella, vencedor da última edição do concurso Sony World Photography Awards com o projecto Five Degrees, responde sem qualquer hesitação: “Na origem estão as alterações climáticas”. (…) O período que se segue à semeação é aquele que provoca, nos agricultores, maior ansiedade. “É nesta fase que a maioria dos suicídios decorre”, explica o fotógrafo. O vislumbre de mais um cultivo falhado torna-se quase palpável em dias que marcam temperaturas mais altas; em consequência, “a agonia” dos agricultores e a “vergonha que sentem perante a família e a sociedade, em geral” agudiza-se e torna-se, para muitos, insuportável. (https://www.publico.pt/2019/05/21/p3/noticia/rios-secos-terra-arida-o-aquecimento-global-leva-ao-suicidio-1871872)

Europa salienta o mau papel dos motores a gasolina

Os responsáveis pelo ambiente na União Europeia (UE) estão cada vez mais assustados com o resultado que as suas decisões tiveram no ambiente. 2017 foi o primeiro ano em que o volume de dióxido de carbono (CO2) emitido para a atmosfera voltou a aumentar, desde que uma série de medidas destinadas a contê-lo foram implementadas em 2010. E se 2017 foi mau, a situação piorou em 2018 e promete agravar-se ainda mais este ano. (…) À boleia do Dieselgate, a UE iniciou uma perseguição aos motores a gasóleo, em vez de correr (e punir) apenas com os que ilegalmente poluíam mais do que deviam. As ameaças da UE tiveram como consequência (óbvia) um virar de costas às unidades a gasóleo, por parte dos clientes, em favor daquelas que queimam gasolina. Só em 2018, a procura por modelos a gasolina aumentou no continente 6,5%. Ora, como os motores a gasolina emitem mais CO2 do que as unidades a gasóleo, o volume deste gás lançado para a atmosfera aumentou, atingindo em 2017 uma média de 118,5 g/km por veículo, ou seja, mais 0,4% do que no ano anterior.

À Margem (Junho 2019)

Documentário: O Nosso Planeta

Uma incrível jornada por este lugar extraordinário que chamamos de lar. Usando tecnologias de ponta, “Nosso Planeta” foi e filmado em mais de 50 países. Das selvas mais remotas aos oceanos mais profundos, você vai descobrir as conexões que todos nós compartilhamos com a natureza. Com narração de David Attenborough, “Nosso Planeta” teve estreia mundial em 5 de Abril de 2019

Projecto de Vida: Wildlings

https://wildlings.pt/pt-pt/

Um grupo de jovens de várias nacionalidades que vive na região Centro lançou, em parceria com artistas europeus, o Wildlings, um projecto que mostra a beleza do Pinhal Interior e convida ao repovoamento do interior do país.

O projecto ganhou forma numa plataforma digital que agrega educação ambiental, informação sobre projectos comunitários ecologicamente sustentáveis em Portugal e no estrangeiro, bem como uma websérie com seis episódios que retrata jovens a morar na zona da Serra do Açor, no distrito de Coimbra, fortemente afectada pelos fogos de 2017.

Revista: Wilder – Rewilding your days

https://www.wilder.pt/

Criada em 2015, a Wilder é uma revista online diária  independente dedicada ao jornalismo de natureza.

“Escrevemos sobre conservação da natureza, naturalistas, Ciência (incluindo a Ciência Cidadã), livros, fotografia, desenho e História Natural. Damos-lhe sugestões do que não pode perder em cada estação do ano e de como se tornar um perito nas espécies que mais gosta. E sobre o que pode fazer para ajudar a natureza em Portugal. A nossa missão é inspirá-lo a apreciar a natureza e a melhorar a biodiversidade, através de conteúdos de elevada qualidade editorial que lhe sejam úteis.” (https://www.wilder.pt/a-wilder/)

Projecto de Educação Ambiental: Âncora Verde

O Âncora Verde é um projecto de educação e sensibilização ambiental que tem como mote informar sem julgar e promover mudanças de comportamentos e uma maior consciência ecológica por parte dos seus leitores. É um espaço de partilha: partilha de projectos, de pessoas, de boas práticas, de estilos de vida, de informaçãoo. É um espaço que não se encaixa numa definição, mas que se rege por valores ecológicos, éticos e de sustentabilidade. É um espaço para agir. É um espaço para começar. (https://www.ancoraverde.pt/sobre/)

Site: UniPlanet

https://www.theuniplanet.com/

Nascido em 2009, o site UniPlanet (anteriormente “O Único Planeta que Temos”) conta já com 9 anos de divulgação de temas importantes para a nossa sociedade como a sustentabilidade, os direitos humanos e dos animais, a alimentação saudável, a agricultura biológica e a mobilidade urbana. Venceu, em 2010, dois prémios na categoria Ciência e Ambiente e o prémio “Revelação” e, entre 2011 e 2012, conquistou 3 edições do LX Sustentável, patrocinado pela Siemens, com o apoio dos seus leitores.

Queremos partilhar histórias que nos inspirem a fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis e a criar um mundo melhor. (https://www.theuniplanet.com/p/sobre.html)

Associação: ANP “Associação Natureza Portugal” (ligada à World Wide Fund for Nature)

https://www.natureza-portugal.org/

A missão da ANP, em associação com a WWF, é a conservação da biodiversidade nacional e ecossistemas florestais, a protecção da biodiversidade marinha e a promoção da sustentabilidade das pescas, a conservação dos ecossistemas de água doce e seus recursos hídricos. A ANP intervém ainda sobre o tema das alterações climáticas e na promoção do consumo sustentável. A WWF tem como missão há mais de 50 anos proteger o futuro da natureza e o planeta, sendo a maior organização independente de conservação da natureza a nível mundial. Tem sede na Suíça, escritórios em 100 países e cinco milhões de associados de todos os continentes. Começou a trabalhar em Portugal na década de 1990.

Recensão do livro: DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, Viriato Soromenho-Marques, Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa, Abril 2019

Há muito anos que o filósofo Viriato Soromenho-Marques se dedica às diferentes áreas da problemática ambiental. Chegou mesmo a ser presidente da QUERCUS, entre 1992 e 1995. Este seu compromisso levou-o a diferentes fóruns internacionais, particularmente na Europa.

Relevantes são os seus ensaios sobre questões climáticas e de cidadania na União Europeia.

Depois de Portugal na Queda da Europa, publicado em 2014 (Temas e Debates, Círculo de Leitores), no qual aborda o movimento de queda da União Europeia, Soromenho-Marques regressa ao tema, insistindo «a UE jaz à beira de um declive para onde resvalará se o presente rumo não for alterado».

DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação integra em três objectivos «o sentido de urgência» em que os europeus da UE se encontram. Antes, é necessário prestar atenção às advertências do autor: «[…] para sobreviver, os países e os povos que a integram [a UE] têm de enfrentar a verdade do fracasso do método e das políticas que nos conduziram à situação cada vez mais caótica em que nos encontramos.» E aqui o Brexit não é banido, até porque ele constitui «o indicador mais evidente de que o projecto de unir a Europa a partir das ruínas de 1945, que se consolidou no actual edifício da União Europeia, já não funciona.»

Os Governos, anota Soromenho-Marques, esqueceram (ele assevera de modo mais virulento «espezinharam») «princípios essenciais da democracia representativa, como é o caso da separação de poderes e do respeito pelos direitos humanos fundamentais», resultando na ascensão de «forças populistas dotadas de um programa niilista e vazio de alternativas». E aqui não se esquecem a questão dos migrantes, a falta de uma «posição coordenada» dos países membros diante das posições dos EUA, da China e da Rússia, relativamente à UE, e o protesto social, que de França, anota o autor, mostra «enorme potencial de expansão a outros Estados-membros.»

Então, «o sentido de urgência» do livro ergue-se nos seus três objectivos: o primeiro, que se prende com a falta de resolução dos problemas, preferindo-se «arrastá-los no tempo», entronca em diversos momentos da história da UE, como por exemplo a génese do euro ou, ainda, «as delicadas questões entre alargamento e aprofundamento do projecto europeu».

O segundo objectivo, tem a ver com a «principal força de mudança positiva, potencial , para a resolução da crise», e que é «a refundação da zona euro», sustentada como factor de «vida ou de morte» do reerguer da Europa comunitária. E deste modo se avança para o terceiro objectivo: «uma escolha política que não pode ser adiada». Ou seja, os responsáveis das diferentes instituições comunitárias – Parlamento incluído -, que se decidiram, concordando com os «arquitectos do euro», por um «capitalismo de recorte neoliberal», terão de iniciar um processo definidor, claro e sem tréguas, sobre o «processo de declínio dos direitos sociais e económicos», o qual foi conseguido «através da cristalização legislativa das políticas de austeridade, desvalorização salarial e precarização dos vínculos laborais.»

Tudo isto resulta, garante Soromenho-Marques, porque os que «mandam hoje» na UE continuam «fechados no bunker das suas crenças e dogmas». Deste DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, não saem bem na fotografia os bancos, as famosas dívidas soberanas (inventadas, assume-se com fundamentações honestas), assim como as crises devastadoras que se lhes sucederam.

Jane Goodall

Valerie Jane Morris Goodall, conhecida como Jane Goodall, é uma primatóloga, etóloga e antropóloga britânica. Estudou a vida social e familiar dos chimpanzés em Gombe, na Tanzânia, ao longo de 50 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens.

Entrevista a Jane Goodall inserida no filme Human de Yann Arthus-Bertrand:

Milhares de pessoas que declaram adorar animais sentam-se uma ou duas vezes ao dia a desfrutar a carne de criaturas que foram completamente privadas de tudo o que poderia tornar as suas vidas dignas de serem vividas e que suportaram o horrível sofrimento e terror dos matadouros. (“The Ten Trusts: What We Must Do to Care for the Animals We Love”, de Jane Goodall, Marc Bekoff – Harper Collins, 2003)

Here we are, the most clever species ever to have lived. So how is it we can destroy the only planet we have? (Jane Goodall)

You cannot get through a single day without having an impact on the world around you. What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make. (Jane Goodall)

We have the choice to use the gift of our life to make the world a better place–or not to bother (Jane Goodall)

Jane Goodall nasceu a 3 de abril de 1934 em Londres, no Reino Unido. Cresceu no seio de uma família de classe média, em Bournemouth, sul de Inglaterra, e esteve sempre rodeada de animais. Aos 11 anos já dizia que ia viver para África. E assim foi. Aos 23 anos viajou para o Quénia para trabalhar com o antropólogo Louis Leakey.

A paixão de Jane Goodall pelos chimpanzés não surgiu “do nada”. Quando tinha pouco mais de um ano, o pai ofereceu-lhe um chimpanzé de peluche em homenagem a um animal da mesma espécie que tinha nascido no Jardim Zoológico de Londres. Os amigos dos pais alertaram para a possibilidade do brinquedo provocar pesadelos na criança, por ser tão pequena, mas teve um efeito completamente contrário ao esperado.

Em 1960 o antropólogo Leakey, com quem já trabalhava há três anos, enviou Goodall para o Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, para estudar os chimpanzés selvagens daquela zona. Um projecto que tinha como duração seis meses e que acabou por prolongar-se até aos dias de hoje.

Em 1997 Goodall fundou o Jane Goodall Institute, uma organização sem fins lucrativos que actua essencialmente na protecção dos chimpanzés e o seu habitat.

A vida de Jane Goodall já serviu de inspiração para vários filmes e documentários.

Com mais de 25 livros publicados, inúmeras entrevistas dadas à National Geographic, presenças em conferências sobre os primatas e o meio ambiente, Jane Goodall foi considerada uma das mulheres do século XX com mais impacto a nível científico.

Goodall é doutorada em Etologia pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e tem grau de Doutor Honoris Causa em mais de 45 universidades do mundo.

Questionada em 2010 se acreditava em Deus, a antropóloga respondeu: “Não sei quem é ou o que é Deus. Mas acredito num poder espiritual maior. Sinto em particular quando estou na natureza. É algo maior e mais forte do que qualquer outra coisa. Sinto-o e isso é suficiente para mim”

Ao longo dos anos Goodall recebeu mais de cem prémios internacionais pelo seu trabalho desenvolvido com os chimpanzés e pela preservação do planeta como forma de proteger a humanidade.

Actualmente Goodall viaja cerca de 300 dias por ano com um único objectivo: a defesa dos chimpanzés e do meio ambiente. A primatóloga é um dos membros do Conselho do santuário para chimpanzés Save the Chimps localizado em Fort Pierce, na Florida (EUA).

(Fonte: https://sicnoticias.pt/mundo/2017-05-24-Jane-Goodall-a-melhor-amiga-dos-chimpanzes-1)

Jane Goodall Institute

O Jane Goodall Institute é uma organização global de conservação da vida selvagem e do meio ambiente com sede em Viena, na Virgínia. Foi fundada em 1977 pela Jane Goodall. O instituto tem escritórios em mais de vinte e cinco países ao redor do mundo

É missão desta organização:

  1. Investigação não invasiva dos chimpanzés e de outros primatas nos seus habitats naturais e também em cativo, para melhorar as suas condições

2. Educação e sensibilização dos cidadãos, através de diversas iniciativas como o programa ambiental Roots&Shoots, com mais de 17.000 mil grupos em 130 países, que impulsiona os jovens a protegerem os seres vivos e a promover o entendimento entre todas as culturas;

3. Conservação da espécie e do meio ambiente, através do desenvolvimento sustentável das comunidades locais africanas”

A organização com sede em Londres tem 29 escritórios espalhados pelo mundo. O programa educacional Roots&Shoots está implementado em mais de 130 países.

Programa Educacional: Roots & Shoots

fundado em 1991 por Jane Goodall tem o objetivo de reunir jovens da idade pré-escolar à universidade para trabalhar em questões ambientais, de conservação e humanitárias.

http://www.rootsandshoots.org/

Ver:

 

Jane Goodall: O Belo e a Consolação

“JANE”, documentário de Brett Morgen sobre a vida da primatóloga Jane Goodall, venceu na categoria de Melhor Documentário no Writers Guild Awards.

Jane Goodall: “O que nos separa dos chimpanzés”

“O abraço da chimpanzé Wounda”: em 2014 uma chimpanzé fémea que foi devolvida ao seu habitat abraçou Jane Goodall e o vídeo com as imagens desse momento tornou-se viral. Wounda foi encontrada num estado muito crítico mas no final conseguiu recuperar, graças à equipa do centro de reabilitação que o Instituto Jane Goodall gere na República do Congo.

Ler

Quem é Jane Goodall: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/02/quem-e-jane-goodall

Jane Goodall: como uma mulher redefiniu a humanidade

https://www.natgeo.pt/historia/2019/01/jane-goodall-como-uma-mulher-redefiniu-humanidade

Editorial (Abril 2019)

Este mês tratamos de Ética. Não convidámos filósofos, sociólogos ou mesmo pesquisadores das ciências políticas ou médicas, no âmbito dos comportamentos ou do desenvolvimento cerebral. Não é que ficasse mal a sua presença. Preferiu-se, todavia, olhar os acontecimentos através da sensibilidade que o quotidiano transmite, a nós que andamos na rua, nos transportes públicos, que frequentamos os Tribunais ou que, ao final do dia, nos sentamos diante do televisor a escutar mais uma notícia sobre interesses, reveladores de falta de Ética.

Uma década depois de o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ter apresentado ao Grupo do G20 uma inédita iniciativa verde, o New Global Green Deal (Novo Acordo Global Verde), assistimos a uma réplica daquela proposta, surgida precisamente num dos mais significativos países daquele grupo económico, os Estados Unidos da América.

Em Fevereiro passado, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Ed Markey, do Partido Democrata, apresentaram “Green New Deal”, um plano ambiental para criar uma economia mais amiga do meio ambiente e de baixo carbono, até 2030. E se a ideia recupera o nome do projecto de recuperação económica do Presidente Franklin Roosevelt, por ocasião da chamada “grande depressão”, entre 1933 e 1937, o mais curioso é o facto de aqueles membros do Partido Democrata se terem atrevido a rever, 10 anos depois, a iniciativa verde das Nações Unidas, nunca correspondida pelos governos do G20. E precisamente num momento em que a liderança política dos EUA revela uma absoluta indifença perante as diversas problemáticas ambientais, aqueles dois membros do Partido Democrata assinam um compromisso ético, apresentado ao Congresso, sustentado numa revisão de todo o modelo de desenvolvimento – abrangendo desde o modelo de agricultura à implementação de mecanismos antidiscriminatórios; ou ainda do reconhecimento sobre a necessidade de uma rede tecnológica energética limpa à legislação sobre direitos sindicais ou ainda à criação de programas de alimentação saudável… (*).

Há dez anos já a ONU, através da sua agência para a defesa do ambiente, propunha aos mais ricos do mundo (responsáveis por 80 por cento de emissões globais de gases de efeito estufa) um investimento de 1 por cento do seu PIB total para “promoção de sectores económicos verdes”, como por exemplo eficiência energética nos edifícios a construir, assim como nos já construídos, ou ainda nos transportes públicos, com a aquisição de veículos híbridos. A estes, e muitos outros, apelos não responderam os membros do G20, revelando a sua insensibilidade uma profunda falta de ética (**).

Estará o conteúdo deste Editorial desajustado quanto à matéria que acima se mencionou: a Ética?

Não. Os assuntos retratados servem somente de amostra. Enquanto os governantes do G20, perante as preocupações das Nações Unidas, mostraram uma face não-ética, os dois protagonistas do New Global Green Deal norte-americano, afirmam depois de tanto tempo desperdiçado, que a Ética (com maiúscula) é uma determinação que permanece, felizmente, na consciência humana. Daí não temermos os juízos “fora de tom” de um Juiz português nem a permanência de, no Parlamento do nosso país, atitudes pouco sãs quando toca a dar “pelouros” a deputados, ainda por cima em casos de deveriam, particularmente, ter em conta a Ética, como é o caso dos Vistos Gold.

Mas que confusão o Editorial semeia!

Não, caríssimas e caríssimos que nos lêem. As questões ambientais que hoje nos “carregam” a vida, tiveram (e continuam a ter) muito a ver com atitudes e decisões de falta de ética assumidas em instâncias públicas e políticas que, esquecendo o comezinho quotidiano das populações, se vão transferindo para âmbitos mais amplos, que já não tornam algumas vidas inseguras, mas sim a vida TODA da Humanidade.

Revisitaremos, oportunamente, as questões éticas levantadas pelo projecto New Global Green Deal, apresentado no Congresso dos EUA.

(*) http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/586964-o-green-new-deal-a-luta-contra-a-degradacao-ambiental-e-o-aquecimento-global

Este sítio do Instituto humanitas Unisinos, do Brasil, remete para um conjunto de referências específicas da proposta New Global Green Deal

(**) https://wedocs.unep.org/rest/bitstreams/11748/retrieve

Este documento das Nações Unidas foi apresentado na reunião do G20, em Setembro de 2009