Do Esquecimento (Janeiro de 2019)

O filme Contraluz (Backlight, na versão americana), do português Fernando Fragata (*), coloca-nos diante de uma circunstância tão óbvia, quanto determinante, nas nossa vidas: o presente é sempre consequência de decisões e acontecimentos anteriores.

No fundo, a cada momento, a nossa Liberdade é decidida por aquilo que pensamos, desejamos e conseguimos por nossa iniciativa, bem como o que outros decidiram para nós – de modo individual, colectivo ou institucional. Por isso, na primeira edição de Dissonâncias, recuperamos decisões políticas ou acontecimentos públicos influenciadores do quotidiano comum, tanto a nível individual ou colectivo.

O nosso Viver é um imenso oceano, influenciado e influenciador de cada momento da Humanidade. E assim reconhecido nas consciências.

O escrutínio que possamos fazer do presente das nossas vidas pessoais, ou do(s) colectivo(s) onde nos inserimos, não pode ignorar, pois, o movimento deste oceano.

Pela importância desta evidente (e tão relevante) constatação, o tema desta primeira edição de Dissonâncias é dedicado ao Esquecimento. Não um esquecimento involuntário, ou consentido por insensato ou desapropriado; mas sim o Esquecimento assumido, para que, assim, tomemos consciência do que não poderá mais acontecer ou daquilo em que é necessário intervir, de modo a propocionar mais responsabilização e equidade… Uma responsabilização não apenas apontada a quem determinou ou executou a “coisa pública”. Uma resposanbilização não interrompida pela indelicadeza das nossas “fronteiras” individualistas, do não podemos chegar a tudo ou resolver os problemas do mundo. Ou seja, uma responsabilização capaz de um discernimento partilhado, em nome da nossa liberdade.

E é diante deste Esquecimento que nos coloca Ruben Martín de Lucas (*), ao introduzir o tema do seu projecto artístico Stupid Borders (Fronteiras Estúpidas). É nas nossas “fronteiras” que se iniciam os mais expressivos e profundos movimentos contrários à Liberdade.

E a propósito, no próximo dia 27, celebra-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Na sua mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, diante do aumento de diferentes moldes de preconceitos racistas e xenófobos promovidos por «grupos de supramacitas brancos» e movimentos de raíz neonazi, sublinha a importância de, em nome da Liberdade, cultivarmos interiormente a capacidade de assumirmos decisões «contra a normalização do ódio».

Ver: https://www.youtube.com/watch?v=PG0PDAvLsPs