Queima a queima, enche a terra o papo

Um dia, abro a janela e vejo uma grande nuvem de fumo. Muito densa, baixa… Julguei estar mesmo perto de casa. Honestamente, aquilo parecia mais ser de um vulcão em erupção. Era um incêndio e já tinha ouvido três sirenes dos bombeiros. Continuei o meu dia, mas senti-me em falta com algum dever cívico. Talvez esteja a tentar cumpri-lo agora, da maneira que sei.

Os incêndios podem ter muitas origens, mas em Portugal continental 98 por cento têm causa humana: mais de 50 por cento tiveram origem em queimas e queimadas, em 2018. Para diminuir o risco de incendio florestal, limpam-se terrenos recorrendo a queimadas…

Temos aqui um ciclo que talvez  devesse ser quebrado. As principais consequências das queimadas, quer sejam positivas ou negativas, são:

– Risco de incêndio com perda de património e recursos florestal;

– Emissão de partículas, diminuindo a qualidade do ar e potenciar problemas de saúde pública;

– Aumento das emissões de CO2;

– Libertação de nutrientes para o solo;

– Controlo de algumas espécies invasivas e de doenças ou pestes.

Pode-se verificar, assim, que são mais os aspectos negativos de se fazerem queimadas do que o valor que possamos reconhecer às duas últimas consequências, acima assinaladas. Por isso, duas alternativas práticas com o igual objectivo de protecção dos recursos florestais: a compostagem e a inceneração com filtros de partículas. Estas práticas estão já implementadas noutros países europeus, como é o caso da Alemanha. Claro que isto é apenas uma versão simples de expor o problema. Uma abordagem combinada, e adaptada para cada tipo de vegetação que predomina em determinada área é essencial. Na edição anterior do Terceiro Planeta ficou prometido falar do fogo, exactamente porque os incêndios chegam a uma escala tão colossal, que devemos pensar nisto individualmente. Podemos mudar hábitos. Procuremos e incentivemos a protecção e cuidado. E, recorde-se, que é de ética governamental procurar e ajudar a implementar alternativas adequadas.