Editorial (Junho 2019)

Há quase meio século tinha início, a 5 de Junho, a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente.

Naquele ano de 1972, a ONU já assumia como desígnio a necessidade de «defender e melhorar o meio ambiente para as atuais e futuras gerações», enquanto «meta fundamental para a humanidade.» Inaudita percepção tiveram, então, os representantes e especialistas das nações, reunidos em Estocolmo…

E para celebrar aquele encontro, tão pertinente como atento, o Ambiente é a temática que integra as diversas páginas desta edição do Dissonâncias. Não se deseja colocar a “coisa negra”, como parece agradar a muitos militantes do infortúnio, nem tão pouco parece sensato dar vez a quem proclama maravilhas, sobre o actual momento ambiental. A sensatez solicita razão e ética; no fundo, seriedade quando se fala de uma «meta fundamental» (utilizando a expressão da conferência de Estocolmo) para a continuidade da Humanidade.

Quando tratamos de preservar a nossa estância na Terra, não podemos renegar o respeito por toda a Natureza, que nos acolheu, a todos e cada um de nós, de modo prazenteiro e gratuito. Tudo não passará de uma ilusória aventura, quando nos deixarmos embalar pelo canto de sereia que pretende afirmar tempos de desequilíbrio no comportamento do Planeta como “naturais”.

«Inspirar e guiar os povos do mundo para a preservação e a melhoria do ambiente humano», sábia decisão assumida naquele dia 5 de Junho de 1972, e que hoje se actualiza num relatório, aprovado dia 4 de Maio passado, em Paris, pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos, estrutura científica da ONU que nos coloca de sobreaviso: um milhão de espécies animais e vegetais do Planeta correm perigo iminente de desaparecimento…

Consciencializar, maturar e agir. Poderíamos enunciar assim as propostas que encontramos nas diversas secções do Dissonâncias, e que, por isso mesmo, se apresenta na abertura com o vídeo Floresta, a solução esquecida. Talvez já o tenhamos visto; todavia, a proposta é que ele nos sensibilize para o programa desta edição: cuidar, cuidar e cuidar do Ambiente.

As notas apresentadas em Simplicidade Voluntária, ou ainda a explicitação oferecida na secção Terceiro Planeta, revelam-se auxílios para assumir um compromisso com a casa que nos acolhe. E enquanto os apontamentos em De vão de escada nos conduzem a um olhar crítico sobre o panorama inútil dos atentados ao Ambiente, também a reflexão sobre o que declaram, em matéria ecológica, os manifestos eleitorais dos partidos políticos portugueses que conseguiram assento no Parlamento Europeu, a 26 de Maio passado, poderá avaliar o nível de compromisso da Política à Portuguesa

Outro compromisso é o que nos propõe a TROCA – plataforma por um comércio internacional justo. Ao dar-nos conta dos «privilégios para as empresas transnacionais que lhes permitem contornar os sistemas de justiça nacionais e a Democracia», mobiliza-nos a tomar conhecimento do absurdo que é a legislação favorável à impunidade daquelas empresas «quando existem violações dos Direitos Humanos (incluindo destruição ambiental).» É também a agir… em favor de uma vivência salutar.