Estudos, números, e… conclusões: transformar as nossas acções, depois do “relatório de 6 de Maio”.

O relatório de 6 de Maio da ONU (ver no final do texto) expõe a urgência da protecção da Natureza e apela a transformações locais a globais para darmos, à Terra, a oportunidade de se (re)transformar, depois de décadas de acção humana no Ambiente de forma desmedida e inconsequente.

Porque é que este relatório é tão importante? Por duas razões principais: primeiro, porque as conclusões são muito claras e, segundo, porque as mesmas advêm de um número alargado de estudos robustos, isto é, que mostram os mesmos resultados usando técnicas e perspectivas diferentes, e elaborados por muitos cientistas  de áreas científicas distintas.

A PRINCIPAL CONCLUSÃO DO RELATÓRIO É ESTA:

Há cerca de 1 milhão de espécies em perigo de extinção, sendo este perigo eminente, para a maioria delas, nas próximas décadas.

Porque é que o que acontece aos outros (as espécies em causa), tem um impacto em nós? Para entendermos este impacto é importante percebermos um conceito fundamental sobre a vida na perspectiva biológica: todos os seres vivos estão interligados, como que numa rede sustentada pelas mesmas matérias, num equilíbrio de interdependência tal que é capaz de suportar todas a vida na Terra como a conhecemos.

Imaginemos uma teia de aranha, é frágil, mas por estar sustentada por muitos e incontáveis pontos e traços, torna-se segura e robusta.  E que acontece quando alguns daqueles pontos e traços começam a desaparecer? A teia começa por perder o equilíbrio, tomba, até que pode cair se a aranha não for rápida o suficiente a repará-la. Neste Dia Mundial do Ambiente, porque não fazermos uma reflexão sobre esta interligação, (nem sempre observável)?

Outras conclusões importantes do relatório da ONU, em síntese:

  • O declínio da biodiversidade e dos ecossistemas terá consequências no progresso económico-social (pobreza, fome, saúde, e outros) de cerca de 80 por cento da população humana. Isto mostra directamente qual o impacto da diminuição da biodiversidade na sociedade, em nós humanos, na nossa casa.
  • As perdas em ecossistemas intactos são mais evidentes em zonas tropicais, onde os níveis de biodiversidade mostram-se os mais altos do planeta, como por exemplo, nos recifes de corais que, embora só ocupem cerca de 1 por cento da Terra são os ecossistemas que, em proporção, carregam mais biodiversidade no mundo. Pode-se pensar em recifes de corais, como a maternidade ou o berçário da Terra.
  • As directivas actuais teriam de ser inovadoras a nível económico e político-social para chegarmos aos objectivos de sustentabilidade até 2030.

A boa notícia é que o relatório propõe acções e caminhos para atingirmos realmente os objectivos de sustentabilidade, incluindo as dos sectores da agricultura, dos sistemas marinhos e florestais, assim como o das áreas urbanas e de energia. Tudo isto tendo como base a conservação da biodiversidade através da gestão de recursos hídricos e costeiros.

Há mais pontos importantes e expostos com muita clareza no relatório. E essa é mais uma razão pela qual este documento é tão importante: consegue expor de forma simples, clara e ilustrativa uma série de conceitos e problemáticas complexas, podendo assim a mensagem chegar a mais pessoas. Na verdade, todos temos em mãos a capacidade de mudar e de transformar do que tanto se fala neste relatório, que por sua vez foi preparado por mãos tão humanas como as de qualquer um de nós.

A Organização das Nações Unidas – através da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos –, aprovou, no dia 6 de Maio passado, um relatório sobre a actual situação de conservação da Natureza. Resultado de um inédito estudo realizado, nos últimos três anos, por 145 investigadores de 50 países.

Avaliando as mudanças nas últimas cinco décadas, oferece ainda vários cenários possíveis para as próximas décadas, diante de um facto comprovado que aponta para a extinção de um milhão de espécies animais e vegetais, em poucas décadas…

Consultar:

https://news.un.org/pt/story/2019/05/1670971