À Margem (Novembro de 2019)

1.

MÚSICA: Hang Massive, End of Sky

O inglês Danny Cudd e o sueco Markus Johansson juntaram-se para ampliar as possibilidades e o repertório do “disco voador” a que se dedicavam: o hang, um instrumento de percussão com esse formato, também conhecido como handpan, formando a banda Hang Massive.

2.

LIVRO:  Boochani, Behrouz (2019). Sozinho nas Montanhas. Alfragide: Casa das Letras.

Natural de Ilam (Irão), Behrouz Boochani, jornalista curdo-iraniano, foi preso em 2013 quando tentava a sua sorte – chegar à Austrália para pedir asilo. A viagem de barco entre a Indonésia e aquele país não correu como planeado e foi detido por tentar entrar sem visto. Há seis anos aguarda, juntamente com outros 600 refugiados, resposta ao pedido de asilo que fez à Austrália num centro de detenção de migrantes na ilha de Manus, na Papua Nova Guiné. Inicialmente, o jornalista e defensor dos direitos humanos foi enviado para o centro de reclusão, onde passou 5 anos, mas depois passou para um alojamento alternativo na ilha.

O principal objetivo de Sozinho nas Montanhas é que o resto do mundo saiba o que se passa nas ilhas de Manus e Nauru, «um sistema que tortura pessoas inocentes». O livro não foi escrito em papel ou num computador, mas sim com recurso a um telemóvel, através do envio de milhares de mensagens, a maioria através da aplicação Whatsapp, durante cinco anos e traduzidas a partir de Farsi.

Já em 2019, Sozinho nas Montanhas conquistou os prémios de literatura e de não-ficção no Victorian Premier’s Literary Awards, atribuídos pelo país que o mantém cativo. É a voz de uma testemunha, um ato de sobrevivência. Um relato lírico na primeira pessoa. Um grito de resistência. Um retrato vívido de cinco anos de exílio e encarceramento.

O nosso governo tudo fez para desumanizar aqueles que buscam asilo. Os seus nomes e as suas histórias são-nos escondidos. Em Nauru e na Ilha de Manus, os exilados vivem num jardim zoológico de crueldade. As suas vidas são despojadas de significado.

Todos os prisioneiros eram pessoas que haviam sido encarcerados sem que tivesse havido apresentação de queixa, condenação ou sentença. Trata-se de um destino particularmente kafkiano que gera muitas vezes o mais cruel dos efeitos – que é completamente pretendido pelos carcereiros australianos – o de derrotar a esperança.

E foi assim que o grito por liberdade se transmutou em carne carbonizada, quando Omid Masoulami, de vinte e três anos, se imolou como forma de protesto. Ou quando Hodan Yasin, de vinte e um anos, gritava enquanto ela se autoincendiava.

Foi nisto que nós, a Austrália, nos tornamos.

Em ignorar as súplicas de uma mulher em Nauru que era violada.

Numa rapariga que coseu os lábios.

Numa criança refugiada que lhes pousou um coração nas mãos sem que soubesse porquê. ” Richard Flanagan, Prefácio, Sozinho nas Montanhas, páginas 9 e 10).

Para saber mais:

“Jornalista que denunciou as condições de refugiados em Manus está livre na Nova Zelândia”: https://www.publico.pt/2019/11/14/mundo/noticia/boochani-autor-livro-enviado-whatsapp-livre-nova-zelandia-1893790

3.

DOCUMENTÁRIO: Disobedience (2016, 41 minutos, produzido pela organização activista 350. Org.)

Disobedience lembra-nos de que o planeta está sob ataque. A mudança climática é real e também depende da iniciativa cidadã reverter os seus efeitos adversos.

De acordo com o documentário, o conhecido “acordo histórico de Paris” não será suficiente para travar o pior, uma vez que a temperatura global deverá aumentar mais que os previstos 2 º C.

O documentário apresenta um grupo diversificado de activistas, em partes distintas do globo, que assumiram a luta por um modo de vida melhor para as suas famílias, comunidades e planeta.

4.

INICIATIVA – Associação MilVoz

Associação de Protecção e Conservação da Natureza, criada em Maio de 2019, por cidadãos, para dar voz ao património natural da região de Coimbra. A 16 de Maio a associação lançou a campanha de croudfunding “Ajuda a criar a primeira Reserva Natural MilVoz” para angariação de fundos.

Alcançado o seu objectivo, a Associação Milvoz adquiriu cerca de um hectare de floresta de carvalhos e castanheiros com a finalidade de criar uma reserva natural local. Este refúgio de biodiversidade situa-se entre as localidades de Almalaguês e Rio de Galinhas, próximo da cidade de Coimbra.

O objectivo passa por gerir o espaço em prol da conservação e biodiversidade, envolvendo a população.

A Reserva Natural de Coimbra será apenas a primeira de uma rede de mini-reservas que a associação MilVoz pretende implementar.

Reserva Natural Senhora da Alegria

Para saber mais:

https://www.publico.pt/2019/11/13/local/noticia/milvoz-criar-reserva-natural-arredores-coimbra-1893640