De vão-de-escada (Novembro de 2019)

Frutos da circunstância

Há cerca de uma década, os grandes produtores mundiais de frutos vermelhos descobriram no sudoeste alentejano um clima abençoado para a cultura intensiva destes frutos. Solos arenosos e água, muita água, graças ao Perímetro de Rega do Mira. E então tudo mudou. Mudou a paisagem. Mudou a demografia. Mudou o tecido social. Estufas pintaram de branco hectares e hectares de território, quase até à fronteira do mar. Atualmente, na freguesia de São Teotónio, as zonas de cultivo já rondam os 1100 hectares, com tendência expansionista. (Expresso, 12 de Dezembro de 2015) https://expresso.pt/sociedade/2015-12-12-Frutos-da-circunstancia

Odemira já mal respira sob o plástico das estufas

A ocupação do concelho por culturas intensivas está a exercer pressão, não só sobre os recursos naturais, mas também sobre as infra-estruturas, incapazes de dar resposta a tantos migrantes. (…) A pressão é crescente e o concelho não está a conseguir dar resposta à vaga de imigrantes, assim como receia as consequências deste modelo agrícola na água, ar, solo e biodiversidade. (Público, 17 de Março de 2019) https://www.publico.pt/2019/03/17/local/noticia/culturas-intensivas-vieram-agravar-realidade-ambiental-social-concelho-odemira-1864562

Eucalipto ganha terreno ao pinheiro-bravo e ao sobreiro

O eucaliptal já ocupa mais de um quarto da floresta nacional. Pinheiro-bravo perdeu 10,5% da área em dez anos. São dados do Inventário Florestal Nacional de 2015, um retrato do país que não reflecte o impacto dos incêndios de 2017, sobretudo nas áreas de pinho, onde a redução pode ser ainda maior. (…) Há uma década, o eucalipto tornou-se a principal espécie na floresta portuguesa. Agora os dados recolhidos (…) mostram que está a consolidar a sua posição – já ocupa mais de um quarto do território. Enquanto isso acontece, o pinheiro-bravo e o sobreiro, as outras duas principais espécies em Portugal, perdem terreno. (…) o país também está cada vez mais urbano e cada vez menos agrícola. (…) a área total dedicada à agricultura tem vindo a diminuir. (Público, 28 de Junho de 2019) https://www.publico.pt/2019/06/28/sociedade/noticia/eucalipto-ganha-terreno-pinheirobravo-sobreiro-1877937

Já esgotámos os recursos anuais do planeta. Agora passamos a viver a crédito

Se todos os países “gastassem” o planeta como Portugal, o limite teria sido atingido o dia 26 de Maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado. (…) Estamos a esgotar o capital natural da Terra. A Zero refere que Portugal “é um contribuinte activo para esta situaçãoo”, uma vez que, “se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso país, seria necessários 2,5 planetas. (Diário de Notícias, 28 de Julho de 2019) https://www.dn.pt/vida-e-futuro/amanha-e-o-dia-em-esgotamos-os-recursos-anuais-do-planeta-e-passamos-a-viver-a-credito-11158337.html

Dois terços do país em seca severa ou extrema

Há aldeias onde a água só chega em camiões-cisterna e 29 albufeiras têm disponibilidade inferiores a 40% da sua capacidade, na maioria a sul. (Expresso, 27 de Outubro de 2019) https://expresso.pt/sociedade/2019-10-27-Dois-tercos-do-pais-em-seca-severa-ou-extrema

Migrantes em Odemira terão NET, ar condicionado e relva…nas suas casas precárias

Numa das suas últimas decisões, o anterior Governo aprovou o aumento em 1200 hectares da área destinada a estufas no Perímetro de Rega em Mira. Este alargamento irá trazer inevitavelmente um aumento da população migrante, pra a qual já hoje não há suficientes respostas habitacionais e sociais. Para tentar responder ao problema, a mesma resolução equipara, por dez anos, as instalações precárias existentes nas explorações a estruturas complementares à actividade agrícola. (Público, 3 de Novembro de 2019) https://www.publico.pt/2019/11/03/local/noticia/migrantes-sudoeste-terao-net-casas-continuarao-precarias-1892056

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