Vandana Shiva

Vandana Shiva (1952, Índia), activista ambiental, e uma das mais prestigiadas ecologistas, feministas e filósofa da actualidade. Envolvida na luta contra o neoliberalismo e defensora dos direitos humanos e ambientais, é figura de destaque no movimento antiglobalização. Reivindica mudanças que travem as mudanças climáticas, a desigualdade, a injustiça, as guerras e a fome. Reconhecida internacionalmente como figura de destaque no movimento antiglobalização. A revista Times considerou-a uma heroína e a Forbes colocou-a na lista das mulheres mais poderosas do mundo.

É autora de inúmeros livros, entre os quais, Making Peace with the EarthEarth DemocracySoil Not OilStaying AliveStolen HarvestWater Wars e Globalization’s New Wars. Apenas o livro A Violência da Revolução Verde foi editado em Portugal.

Recebeu inúmeros prémios internacionais, entre eles Right Livelihood Award, considerado o Prémio Nobel alternativo.

Fundou a organização não governamental Navdanya, que promove a biodiversidade de sementes, a agricultura orgânica e os direitos dos agricultores: http://www.navdanya.org/site/

Entrevista a Vandama Shiva

“A incapacidade de enxergar a diversidade é a monocultura da mente, uma ferramenta de poder para controlar a vida”.

“Todos os seres vivos têm um direito inerente à existência e essa deve ser a razão suprema para não permitir que ocorra a extinção de uma espécie”.

“A biodemocracia envolve o reconhecimento do valor intrínseco de todos os seres vivos … e dos direitos originais de comunidades que coevoluiram com a biodiversidade local”. (Vandana Shiva, Monocultura da Mente, 2002)

Livro: Shiva, Vandana (2015). A Violência da Revolução Verde. Edições Mahatma

SINOPSE

Vandana Shiva analisa o impacto da primeira Revolução Verde na Índia. Demonstra como a promessa de uma “solução rápida” para obter grandes ganhos de produção marginalizou a busca séria de uma estratégia agrícola alternativa assente no respeito pela sabedoria ambiental dos sistemas campesinos e a construção de uma agricultura igualitária, orientada para as necessidades, coerente com as tradições políticas endógenas, e baseadas na aldeia, do Gandhismo.

Documenta a destruição da diversidade genética e da fertilidade do solo que se verificou e, de forma muito original, mostra como a Revolução Verde também contribuiu para os graves conflitos sociais e políticos que agora dilaceram o Punjab. A autora apresenta uma crítica sofisticada da posição epistemológica privilegiada que a ciência moderna alcançou e através da qual aspira a fornecer as soluções tecnológicas para os problemas sociais e políticos, ao mesmo tempo que recusa qualquer responsabilidade pelos novos problemas que são criados pela sua acção. Lança também um olhar sobre o futuro para analisar um novo projecto que aplica a mais recente tecnologia da Revolução dos Genes na Índia e alerta para os danos ambientais e sociais que dele podem decorrer.

Excertos  da Violência da Revolução Verde

A Revolução Verde foi baseada no pressuposto de que a tecnologia é um substituto superior para a natureza e, como tal, um meio para produzir crescimento ilimitado, não condicionado pelos limites naturais. Todavia, o pressuposto da natureza como fonte de escassez e da tecnologia como fonte de abundância leva à criação de tecnologias que criam novas formas de escassez na natureza através da destruição ecológica. A redução na disponibilidade de terra fértil e na diversidade genética das colheitas que resultou das práticas da Revolução Verde indica que, a nível ecológico, a Revolução Verde produziu escassez, não-abundância (pág. 21-22).

As sementes da Revolução Verde foram concebidas para ultrapassar os limites que as sementes indígenas colocavam à agricultura quimicamente intensiva. As novas sementes tornaram-se assim centrais para quebrar os limites e os ciclos da natureza. As sementes ‘milagrosas’ estavam assim no centro da ciência da ‘Revolução Verde’ (pág. 33).

A diversidade de cultivos e de variedades da agricultura indígena foi substituída por monoculturas e uma base genética estreita. O foco eram os mercados internacionais de cereais, e a estratégia passava por eliminar os cultivos mistos e rotativos, bem como a diversidade de variedades, através da simplicidade varietal. Ao mesmo tempo que reduziam a diversidade, as novas variedades aumentavam o recurso a água e a aportes químicos, como pesticidas e adubos (pág. 44).

A estratégia da Revolução Verde pretendia transcender a escassez e criar abundância. Contudo, colocava novas exigências sobre recursos renováveis escassos e gerava novas exigências de recursos não renováveis. A tecnologia da Revolução Verde requer elevados investimentos em adubos, pesticidas, sementes, água e energia. A agricultura intensiva gerou uma nova destruição ecológica e criou novos tipos de escassez e de vulnerabilidade, e novos níveis de ineficiência no uso de recursos ao invés de transcender os limites colocados pela natureza do solo e da água, a Revolução Verde introduziu novos limites à agricultura, ao desperdiçar e destruir recursos hídricos e o solo, bem como a diversidade dos solos (pág. 44).

Testemunhos de Vandana Shiva

Democracia

Monocultura da Vida

Monocultura da Mente

“Temos de destruir o mito de que a tecnologia é uma religião que não pode ser questionada”.

https://www.publico.pt/2019/11/13/ciencia/entrevista/destruir-mito-tecnologia-religiao-nao-questionada-1893488