À Margem (Novembro de 2019)

1.

MÚSICA: Hang Massive, End of Sky

O inglês Danny Cudd e o sueco Markus Johansson juntaram-se para ampliar as possibilidades e o repertório do “disco voador” a que se dedicavam: o hang, um instrumento de percussão com esse formato, também conhecido como handpan, formando a banda Hang Massive.

2.

LIVRO:  Boochani, Behrouz (2019). Sozinho nas Montanhas. Alfragide: Casa das Letras.

Natural de Ilam (Irão), Behrouz Boochani, jornalista curdo-iraniano, foi preso em 2013 quando tentava a sua sorte – chegar à Austrália para pedir asilo. A viagem de barco entre a Indonésia e aquele país não correu como planeado e foi detido por tentar entrar sem visto. Há seis anos aguarda, juntamente com outros 600 refugiados, resposta ao pedido de asilo que fez à Austrália num centro de detenção de migrantes na ilha de Manus, na Papua Nova Guiné. Inicialmente, o jornalista e defensor dos direitos humanos foi enviado para o centro de reclusão, onde passou 5 anos, mas depois passou para um alojamento alternativo na ilha.

O principal objetivo de Sozinho nas Montanhas é que o resto do mundo saiba o que se passa nas ilhas de Manus e Nauru, «um sistema que tortura pessoas inocentes». O livro não foi escrito em papel ou num computador, mas sim com recurso a um telemóvel, através do envio de milhares de mensagens, a maioria através da aplicação Whatsapp, durante cinco anos e traduzidas a partir de Farsi.

Já em 2019, Sozinho nas Montanhas conquistou os prémios de literatura e de não-ficção no Victorian Premier’s Literary Awards, atribuídos pelo país que o mantém cativo. É a voz de uma testemunha, um ato de sobrevivência. Um relato lírico na primeira pessoa. Um grito de resistência. Um retrato vívido de cinco anos de exílio e encarceramento.

O nosso governo tudo fez para desumanizar aqueles que buscam asilo. Os seus nomes e as suas histórias são-nos escondidos. Em Nauru e na Ilha de Manus, os exilados vivem num jardim zoológico de crueldade. As suas vidas são despojadas de significado.

Todos os prisioneiros eram pessoas que haviam sido encarcerados sem que tivesse havido apresentação de queixa, condenação ou sentença. Trata-se de um destino particularmente kafkiano que gera muitas vezes o mais cruel dos efeitos – que é completamente pretendido pelos carcereiros australianos – o de derrotar a esperança.

E foi assim que o grito por liberdade se transmutou em carne carbonizada, quando Omid Masoulami, de vinte e três anos, se imolou como forma de protesto. Ou quando Hodan Yasin, de vinte e um anos, gritava enquanto ela se autoincendiava.

Foi nisto que nós, a Austrália, nos tornamos.

Em ignorar as súplicas de uma mulher em Nauru que era violada.

Numa rapariga que coseu os lábios.

Numa criança refugiada que lhes pousou um coração nas mãos sem que soubesse porquê. ” Richard Flanagan, Prefácio, Sozinho nas Montanhas, páginas 9 e 10).

Para saber mais:

“Jornalista que denunciou as condições de refugiados em Manus está livre na Nova Zelândia”: https://www.publico.pt/2019/11/14/mundo/noticia/boochani-autor-livro-enviado-whatsapp-livre-nova-zelandia-1893790

3.

DOCUMENTÁRIO: Disobedience (2016, 41 minutos, produzido pela organização activista 350. Org.)

Disobedience lembra-nos de que o planeta está sob ataque. A mudança climática é real e também depende da iniciativa cidadã reverter os seus efeitos adversos.

De acordo com o documentário, o conhecido “acordo histórico de Paris” não será suficiente para travar o pior, uma vez que a temperatura global deverá aumentar mais que os previstos 2 º C.

O documentário apresenta um grupo diversificado de activistas, em partes distintas do globo, que assumiram a luta por um modo de vida melhor para as suas famílias, comunidades e planeta.

4.

INICIATIVA – Associação MilVoz

Associação de Protecção e Conservação da Natureza, criada em Maio de 2019, por cidadãos, para dar voz ao património natural da região de Coimbra. A 16 de Maio a associação lançou a campanha de croudfunding “Ajuda a criar a primeira Reserva Natural MilVoz” para angariação de fundos.

Alcançado o seu objectivo, a Associação Milvoz adquiriu cerca de um hectare de floresta de carvalhos e castanheiros com a finalidade de criar uma reserva natural local. Este refúgio de biodiversidade situa-se entre as localidades de Almalaguês e Rio de Galinhas, próximo da cidade de Coimbra.

O objectivo passa por gerir o espaço em prol da conservação e biodiversidade, envolvendo a população.

A Reserva Natural de Coimbra será apenas a primeira de uma rede de mini-reservas que a associação MilVoz pretende implementar.

Reserva Natural Senhora da Alegria

Para saber mais:

https://www.publico.pt/2019/11/13/local/noticia/milvoz-criar-reserva-natural-arredores-coimbra-1893640

À Margem (Junho 2019)

Documentário: O Nosso Planeta

Uma incrível jornada por este lugar extraordinário que chamamos de lar. Usando tecnologias de ponta, “Nosso Planeta” foi e filmado em mais de 50 países. Das selvas mais remotas aos oceanos mais profundos, você vai descobrir as conexões que todos nós compartilhamos com a natureza. Com narração de David Attenborough, “Nosso Planeta” teve estreia mundial em 5 de Abril de 2019

Projecto de Vida: Wildlings

https://wildlings.pt/pt-pt/

Um grupo de jovens de várias nacionalidades que vive na região Centro lançou, em parceria com artistas europeus, o Wildlings, um projecto que mostra a beleza do Pinhal Interior e convida ao repovoamento do interior do país.

O projecto ganhou forma numa plataforma digital que agrega educação ambiental, informação sobre projectos comunitários ecologicamente sustentáveis em Portugal e no estrangeiro, bem como uma websérie com seis episódios que retrata jovens a morar na zona da Serra do Açor, no distrito de Coimbra, fortemente afectada pelos fogos de 2017.

Revista: Wilder – Rewilding your days

https://www.wilder.pt/

Criada em 2015, a Wilder é uma revista online diária  independente dedicada ao jornalismo de natureza.

“Escrevemos sobre conservação da natureza, naturalistas, Ciência (incluindo a Ciência Cidadã), livros, fotografia, desenho e História Natural. Damos-lhe sugestões do que não pode perder em cada estação do ano e de como se tornar um perito nas espécies que mais gosta. E sobre o que pode fazer para ajudar a natureza em Portugal. A nossa missão é inspirá-lo a apreciar a natureza e a melhorar a biodiversidade, através de conteúdos de elevada qualidade editorial que lhe sejam úteis.” (https://www.wilder.pt/a-wilder/)

Projecto de Educação Ambiental: Âncora Verde

O Âncora Verde é um projecto de educação e sensibilização ambiental que tem como mote informar sem julgar e promover mudanças de comportamentos e uma maior consciência ecológica por parte dos seus leitores. É um espaço de partilha: partilha de projectos, de pessoas, de boas práticas, de estilos de vida, de informaçãoo. É um espaço que não se encaixa numa definição, mas que se rege por valores ecológicos, éticos e de sustentabilidade. É um espaço para agir. É um espaço para começar. (https://www.ancoraverde.pt/sobre/)

Site: UniPlanet

https://www.theuniplanet.com/

Nascido em 2009, o site UniPlanet (anteriormente “O Único Planeta que Temos”) conta já com 9 anos de divulgação de temas importantes para a nossa sociedade como a sustentabilidade, os direitos humanos e dos animais, a alimentação saudável, a agricultura biológica e a mobilidade urbana. Venceu, em 2010, dois prémios na categoria Ciência e Ambiente e o prémio “Revelação” e, entre 2011 e 2012, conquistou 3 edições do LX Sustentável, patrocinado pela Siemens, com o apoio dos seus leitores.

Queremos partilhar histórias que nos inspirem a fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis e a criar um mundo melhor. (https://www.theuniplanet.com/p/sobre.html)

Associação: ANP “Associação Natureza Portugal” (ligada à World Wide Fund for Nature)

https://www.natureza-portugal.org/

A missão da ANP, em associação com a WWF, é a conservação da biodiversidade nacional e ecossistemas florestais, a protecção da biodiversidade marinha e a promoção da sustentabilidade das pescas, a conservação dos ecossistemas de água doce e seus recursos hídricos. A ANP intervém ainda sobre o tema das alterações climáticas e na promoção do consumo sustentável. A WWF tem como missão há mais de 50 anos proteger o futuro da natureza e o planeta, sendo a maior organização independente de conservação da natureza a nível mundial. Tem sede na Suíça, escritórios em 100 países e cinco milhões de associados de todos os continentes. Começou a trabalhar em Portugal na década de 1990.

Recensão do livro: DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, Viriato Soromenho-Marques, Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa, Abril 2019

Há muito anos que o filósofo Viriato Soromenho-Marques se dedica às diferentes áreas da problemática ambiental. Chegou mesmo a ser presidente da QUERCUS, entre 1992 e 1995. Este seu compromisso levou-o a diferentes fóruns internacionais, particularmente na Europa.

Relevantes são os seus ensaios sobre questões climáticas e de cidadania na União Europeia.

Depois de Portugal na Queda da Europa, publicado em 2014 (Temas e Debates, Círculo de Leitores), no qual aborda o movimento de queda da União Europeia, Soromenho-Marques regressa ao tema, insistindo «a UE jaz à beira de um declive para onde resvalará se o presente rumo não for alterado».

DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação integra em três objectivos «o sentido de urgência» em que os europeus da UE se encontram. Antes, é necessário prestar atenção às advertências do autor: «[…] para sobreviver, os países e os povos que a integram [a UE] têm de enfrentar a verdade do fracasso do método e das políticas que nos conduziram à situação cada vez mais caótica em que nos encontramos.» E aqui o Brexit não é banido, até porque ele constitui «o indicador mais evidente de que o projecto de unir a Europa a partir das ruínas de 1945, que se consolidou no actual edifício da União Europeia, já não funciona.»

Os Governos, anota Soromenho-Marques, esqueceram (ele assevera de modo mais virulento «espezinharam») «princípios essenciais da democracia representativa, como é o caso da separação de poderes e do respeito pelos direitos humanos fundamentais», resultando na ascensão de «forças populistas dotadas de um programa niilista e vazio de alternativas». E aqui não se esquecem a questão dos migrantes, a falta de uma «posição coordenada» dos países membros diante das posições dos EUA, da China e da Rússia, relativamente à UE, e o protesto social, que de França, anota o autor, mostra «enorme potencial de expansão a outros Estados-membros.»

Então, «o sentido de urgência» do livro ergue-se nos seus três objectivos: o primeiro, que se prende com a falta de resolução dos problemas, preferindo-se «arrastá-los no tempo», entronca em diversos momentos da história da UE, como por exemplo a génese do euro ou, ainda, «as delicadas questões entre alargamento e aprofundamento do projecto europeu».

O segundo objectivo, tem a ver com a «principal força de mudança positiva, potencial , para a resolução da crise», e que é «a refundação da zona euro», sustentada como factor de «vida ou de morte» do reerguer da Europa comunitária. E deste modo se avança para o terceiro objectivo: «uma escolha política que não pode ser adiada». Ou seja, os responsáveis das diferentes instituições comunitárias – Parlamento incluído -, que se decidiram, concordando com os «arquitectos do euro», por um «capitalismo de recorte neoliberal», terão de iniciar um processo definidor, claro e sem tréguas, sobre o «processo de declínio dos direitos sociais e económicos», o qual foi conseguido «através da cristalização legislativa das políticas de austeridade, desvalorização salarial e precarização dos vínculos laborais.»

Tudo isto resulta, garante Soromenho-Marques, porque os que «mandam hoje» na UE continuam «fechados no bunker das suas crenças e dogmas». Deste DEPOIS DA QUEDA- A União Europeia entre o reerguer e a fragmentação, não saem bem na fotografia os bancos, as famosas dívidas soberanas (inventadas, assume-se com fundamentações honestas), assim como as crises devastadoras que se lhes sucederam.

À Margem (Abril 2019)

LIVRO: “O Maior Bem Que Podemos Fazer: como o altruísmo eficaz está a mudar as ideias sobre viver eticamente”, de Peter Singer (2016, Lisboa: Edições 70).

Sinopse

O altruísmo eficaz, que está a dar origem a um movimento emergente repleto de entusiasmo, baseia-se na ideia de que devemos fazer o maior bem que pudermos. Porém, a obediência às regras normais – como não roubar, não enganar, não magoar ou não matar – não é suficiente para os que têm a sorte de viver com conforto material. O ramo da filosofia conhecido como ética prática, e no qual Peter Singer se insere, tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do altruísmo eficaz e este, por seu lado, tem justificado a importância da filosofia, mostrando o seu papel na transformação do mundo. Peter Singer defende que levar uma vida ética minimamente aceitável implica utilizar uma parte substancial dos nossos recursos de sobra para fazer do mundo um lugar melhor; por outro lado, viver uma vida totalmente ética implica fazer o maior bem possível.

Em “O maior bem que podemos fazer” o autor demonstra por que razões o altruísmo eficaz é algo de absolutamente notável e capaz de alargar os nossos horizontes morais, levando-nos a tomar decisões baseadas numa forma lata de altruísmo e a usar a razão para avaliar as consequências prováveis das nossas acções. Numa nova era, é de esperar que as próximas gerações estejam à altura das responsabilidades relativas a problemas que serão tão globais quanto locais.

O altruísmo eficaz baseia-se numa ideia muito simples: devemos fazer o maior bem que pudermos. (…) Levar uma vida ética minimamente aceitável implica utilizar uma parte substancial dos nossos recursos para fazer do mundo um lugar melhor. Viver uma vida totalmente ética implica fazer o maio bem possível” (p.13).

“Algumas instituições de beneficência são fraudes completas, mas um problema muito maior é o facto de muitas poucas serem suficientemente transparentes para permitirem que os doadores verifiquem se estão realmente a funcionar bem” (p.14).

“O altruísmo opõe-se ao egoísmo, que é a preocupação apenas consigo próprio, mas não devemos pensar no altruísmo eficaz como exigindo autossacrifício, no sentido de algo necessariamente contrário aos interesses próprios. Se fazer o mais possível pelos outros significa que estamos também a florescer, então é o melhor resultado possível para todos. (…) O facto de encontrarem realização e felicidade pessoal ao fazerem isso não lhes diminui o altruísmo” (p. 25)

“Os altruístas eficazes sentirão a atração de ajudar uma criança identificável do seu próprio país, região ou grupo étnico, mas perguntar-se-ão se isso será a melhor coisa a fazer. Sabem que salvar uma vida é melhor do que realizar um desejo e que salvar três vidas é melhor do que salvar uma vida. Assim, não doam a qualquer causa que lhes impressione mais o coração. Doam à causa que fizer maior bem, dadas as capacidades, o tempo e o dinheiro disponíveis” (p. 27).

(Singer, Peter (2016). O maior bem que podemos fazer. Lisboa: Edições 70)

Sobre o autor

Peter Singer nasceu em Melbourne, na Austrália, em 1946. Estudou na Universidade de Oxford e é professor de Bioética na Universidade de Princeton e na Universidade de Melbourne. Dirige o Centre for Human Bioethics e o Centre for Applied Philosophy and Public Ethics. Autor de uma vasta bibliografia sobre Ética Prática, na qual trata os problemas filosóficos a partir de uma perspectiva utilitarista, tornou-se particularmente conhecido com o livro Libertação Animal, publicado em meados da década de 1970 e considerado a bíblia do movimento com o mesmo nome. Destacam-se ainda os livros Ética Prática, A Vida que Podemos Salvar e Como Havemos de Viver?

Ver: Peter Singer, O porque e o como do altruísmo eficaz, TED 2013

ACTIVISMO SOCIAL: Afroz Shah – distinguido com título “Campeão da Terra” atribuído pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em Dezembro de 2016, por ter liderado a limpeza da praia de Versova, na Índia.

Afroz Shah foi o responsável pela “maior acção de limpeza de praia do mundo”, que decorreu em Bombaim, na Índia. Em 2015, este advogado indiano de 36 anos, ao mudar-se para um apartamento em frente à praia de Versova, deparou-se com uma extensão de areia com mais de 2,5 quilómetros coberta de lixo e uma parede com 1,7 metros de altura de resíduos despejados na areia ou que lá chegaram vindos do mar, também altamente poluído.

Sem conseguir aguentar o que via, decidiu, sozinho, começar a apanhar o lixo, tendo no primeiro dia enchido cinco sacos. No entanto, rapidamente percebeu que a tarefa o superava. Começou então a contar com a ajuda de dezenas de voluntários, que passaram a centenas e a milhares. Formou-se um movimento informal.

Através desta iniciativa, mais de cinco mil toneladas de lixo foram retiradas da praia por estudantes, moradores, políticos e estrelas de Bollywood. Pela primeira vez em 20 anos, em 2018, tartarugas marinhas escolheram Versova para nidificar.

Afroz Shah concilia tudo com o trabalho de segunda a sexta, num escritório de advocacia. Aos fins de semana, a sua casa é o centro de comandos das operações dos voluntários, aos quais se junta sempre que pode.

“Eu era uma pessoa muito privada, mas a pressão pública está a crescer de forma orgânica”, indicou. Comprometeu-se a entregar o tempo livre a uma causa, a “liderar pelo exemplo”. No Facebook e no Twitter partilha os objetivos que vai alcançando.

Mas confessa-se cansado e a ponderar cortar nas horas dedicadas ao Direito. “O que faço agora é criar milhares de Afroz em cada cidade, para que o trabalho se torne mais simples. Aos jovens, digo: ‘Assume o teu lugar’”, contou.

“O meu país tem 1,5 mil milhões de pessoas. Já imaginaram se todas pegassem num saco e apanhassem plástico?”, acrescentou o indiano, que, desde que dedicou o primeiro fim de semana a Versova, já contou com a participação de 200 mil voluntários.

“Consistência, persistência e sinceridade” é aquilo que tenta incutir nos voluntários, sobretudo nas crianças e nos adolescentes. “Não basta dizer que vão limpar a praia hoje ou amanhã. É preciso fazê-lo sempre”.

Ler:

https://www.publico.pt/2019/03/09/p3/noticia/limpar-praias-praias-limpas-afroz-shah-tirou-cinco-toneladas-lixo-areal-bombaim-1864678

https://tvi24.iol.pt/internacional/limpeza/antes-e-depois-esta-praia-de-bombaim-que-mudou-radicalmente

Ver:

ARTISTA: Bordalo II – Transforma lixo em arte, espalhando instalações com grandes animais pelas paredes das cidades em diferentes partes do mundo.

Nascido em Lisboa em 1987, Artur Bordalo é neto do pintor Artur Real Bordalo (1925-2017), que aponta como a sua principal referência. Passou pelo curso de pintura da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, mas foi o grafittie que o preparou para o trabalho pelo qual se tornou conhecido: esculturas feitas com recurso a lixo e desperdícios.

Com a série “Big Trash Animals” (algo como “Grandes Animais de Lixo”) tem espalhado pelo mundo vários animais, “uma forma de fazer retratos da natureza, uma composição das vítimas com aquilo que as destrói”.

“Podia fazer rostos humanos, mas a parte humana já está presente neste trabalho a tempo inteiro, por ser criada por um humano e porque todo este material que utilizamos já é humano. Todo este lixo é nosso, não é da Natureza”, referiu, em novembro do ano passado, altura em que inaugurou em Lisboa “Attero”, exposição que foi visitada por cerca de 27 mil pessoas, no espaço de um mês. “Uma das coisas mais importantes para mim é que o meu trabalho não caia no superficial, mas que tenha sempre algo a dizer com uma componente educativa forte e uma parte social e política presente. Se as pessoas vêem as minhas obras, é importante que não seja apenas bonito, mas que tenha uma parte que contribua para uma mudança”.

Está hoje representado em colecções privadas em França, no Japão ou nos EUA, mas não em museus, e tem trabalhado sobretudo fora de Portugal. Só no ano passado, apresentou várias obras de rua, muitas vezes efémeras, no Brasil, EUA, Polinésia Francesa, Chile, Antilhas Holandesas, Reino Unido, Alemanha e Espanha.

Em Portugal é possível ver-se alguns animais criados por Bordalo II, em Lisboa há uma raposa, na avenida 24 de Julho, um sapo, na rua da Manutenção, um macaco, na zona de Xabregas, um guaxinim numa parede na zona de Belém e outras obras em cidades como Estarreja, Loures, Vila Nova de Gaia e Covilhã.

Site de Bordalo II:http://www.bordaloii.com/

Ler:

https://www.noticiasmagazine.pt/2017/bordalo-ii/

http://www.bordaloii.com/

https://www.natgeo.pt/one-strange-rock/2018/03/bordalo-ii-o-artista-atras-do-lixo

DOCUMENTÁRIO: Mar Estranho, National Geographic Portugalhttps://www.natgeo.pt/video/tv/mar-estranho-minidocumentario-national-geographic-portugal

Realizado pela National Geographic Portugal, o mini-documentário “Mar Estranho” debruça-se sobre a importância de protegermos os nossos oceanos contra as toneladas de lixo que nele são depositadas.

Deixar o lixo e outros detritos nas praias ou, simplesmente, não efectuar a devida reciclagem, são actos que levam a que os nossos oceanos se transformem em autênticos depósitos de plástico e lixo variado.

Bordalo II, um dos pioneiros na reciclagem de materiais – principalmente de lixo – para a execução das suas obras, é um dos actores deste pequeno filme e o seu trabalho fala por si. A forma como utiliza este tipo de materiais no seu trabalho artístico, encerra em si a sua própria intervenção nesta área, na preocupação que devemos ter em reciclar.

A propósito da estreia da série “One Strange Rock”, Bordalo II aceitou o convite da National Geographic para criar uma instalação totalmente construída a partir do lixo encontrado no mar. O resultado final esteve exposto na Praia de Carcavelos e hoje em dia pode ser visto no Museu do Mar, em Cascais.

À Margem (Fevereiro 2019)

Filme: “Eu, Daniel Blake” de Ken Loach, 2016.  Palma de Ouro no Festival de Cannes

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=ob_uqy1aouk

Sinopse

Daniel Blake, um viúvo de 59 anos, trabalhou como marceneiro durante a maior parte da sua vida em Newcastle. Diagnosticado com um grave problema de coração, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Pela primeira vez, precisa de ajuda do Estado, vendo-se enredado numa burocracia injusta e constrangedora. Apesar do esforço em encontrar um modo de provar a sua incapacidade, parece que ninguém está interessado em admiti-la. O seu caminho cruza-se com o de Katie, mãe solteira, e as suas duas crianças, Daysy e Dylan. Para escapar à vida numa residência para sem-abrigo em Londres, a única hipótese de Katie foi a de aceitar um apartamento numa cidade que ela desconhece, a 300 milhas de distância. Daniel e Katie encontram-se na terra de ninguém, apanhados pela burocracia da Segurança Social…

Um filme para ver, refletir e até mesmo traçar um paralelo com a realidade nacional.

“Eu, Daniel Blake, sou um cidadão, nada mais, nada menos.”(Frase final do filme)

Livro: “Fascismo, Um Alerta”, Madeleine Albright(2018, Clube do Autor S.A.)

Sinopse

Nesta obra dedicada “Às vítimas do fascismo no passado como no presente e a todos os que combatem o fascismo nos outros e em si próprios”, Madeleine Albright, partindo da sua experiência pessoal e na sua longa carreira de diplomata, analisa a emergência do fascismo no século XX, alerta para os problemas do seu legado e explica as lições que devemos aprender para que a História não se repita.

Sobre a autora

Madeleine Albright nasceu a 15 de Maio de 1937 em Praga, na antiga Checoslováquia. De origem judia, foi educada na religião católica pelos pais, convertidos ao catolicismo para tentarem escapar à perseguição nazi. Em 1939, a família refugiou-se em Inglaterra, regressando depois da Segunda Guerra Mundial ao país de origem. Em 1948, com a tomada de poder dos comunistas na Checoslováquia, emigraram para os Estados Unidos da América. Madeleine Albright recebeu a cidadania norte-americana em 1957.

Durante o primeiro mandato presidencial de Bill Clinton, Albright foi nomeada embaixadora dos Estados Unidos da América junto das Nações Unidas, o seu primeiro posto diplomático, que exerceu entre 1993 e 1997. Nesse ano, início do segundo mandato do presidente Clinton, foi nomeada Secretária de Estado, a primeira mulher a ocupar, até então, tão alto cargo numa administração norte-americana. Actualmente, Madeleine Albright é presidente do National Democratic Institute For International Affairs, instituição sem fins lucrativos que trabalha para a promoção e desenvolvimento da democracia no mundo.

“Porque estão tantas pessoas em lugares de poder a tentar minar a confiança da opinião pública nas eleições, nos tribunais, nos meios de comunicação e – questão essencial do futuro da Terra – na ciência? Porque se permitiu que se abrissem brechas tão perigosas entre ricos e pobres, cidadãos urbanos e rurais, os que têm cursos superiores e os que não têm? Porque abdicaram os Estados Unidos – pelo menos temporariamente – da liderança dos assuntos mundiais? E porque, estamos, já bem entrados no século XXI, de novo a falar de fascismo?” (Madeleine Albright Fascismo, Um Alerta, p.21)

“Há quem possa considerar alarmistas este livro e o seu título. Ainda bem. Devemos estar conscientes do assalto aos valores democráticos que tem ganho força em muitos países e que está também a dividir a América. A tentação de fechar os olhos e esperar que o pior passe é poderosa, mas a história diz-nos que, para a liberdade sobreviver, ela tem de ser defendida, e que se as mentiras o impedirem, elas têm de ser denunciadas.”(Madeleine Albright Fascismo, Um Alerta, p.304)

Ver: https://www.youtube.com/watch?v=I27X9L8rReo

Para saber mais:

http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2018-10-27-Madeleine-Albright-O-fascismo-instala-se-quando-as-pessoas–se-convencem-de-que-ninguem-e-de-confianca

https://www.dn.pt/cultura/interior/madeleine-albright-teme-regresso-do-fascismo-e-alerta-para-o-perigo-trump–9866422.html

Prémio Pessoa 2018 : Miguel Bastos Araújo –  especialista em biogeografia, um dos maiores especialistas mundiais em alterações climáticas e biodiversidade.

Miguel Bastos Araújo nasceu na Bélgica e licenciou-se em 1994 em Geografia e Planeamento Regional (na Universidade Nova de Lisboa). Em 1996 obteve o mestrado em Conservação, no University College, em Londres, onde completou também o doutoramento em Geografia, em 2000. É investigador-coordenador no Museu Nacional de Ciências Naturais (parte do Conselho Superior de Investigação Científica em Madrid, Espanha), investigador-coordenador convidado na Universidade de Évora e professor catedrático convidado na Universidade de Copenhaga e no Imperial College de Londres.

Coordenou e participou em dezenas de projectos científicos na area dos impactos das alterações climáticas, tendo ainda sido responsável pela produção de relatórios sobre os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade para os governos espanhol e português.

Em Novembro de 2018 foi também galardoado com o Prémio Ernst Haeckel atribuído pela Federação Ecológica Europeia. A sua investigação, desenvolvida no âmbito de redes em Portugal, na Dinamarca e em Espanha, tem sido essencial para definir melhores práticas para a modelação das alterações da biodiversidade, através do tempo e do espaço, e para avaliar as consequências das actividades humanas na natureza.

 A extinção das espécies actuais começa quando o ser humano muda os ciclos geoquímicos da atmosfera e das correntes oceânicas (…). O homem é uma espécie muito bem sucedida que pode acabar a morrer por causa do seu próprio sucesso”. (Miguel Bastos Araújo)

Ver: https://sicnoticias.pt/pais/2018-12-14-Vencedor-do-Premio-Pessoa-e-especialista-em-biodiversidade-e-alteracoes-climaticas

Para saber mais:

https://www.publico.pt/2018/12/14/ciencia/noticia/premio-pessoa-2018-1854722

À Margem

José de Sousa Saramago (1922-2010), Prémio Nobel de Literatura em 1998.

José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga, concelho da Golegã. Após concluir o ensino secundário em Lisboa, e impossibilitado de prosseguir estudos por dificuldades financeiras, começou a trabalhar como serralheiro mecânico e exerceu ainda as profissões de desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor e tradutor, tendo colaborado também como crítico literário na revista Seara Nova e como comentador político no Diário de Lisboa (1972-73) e sido director adjunto do Diário de Notícias (1975). A partir de 1976 passa a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro enquanto tradutor e depois enquanto autor.

Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo ReisO Evangelho segundo Jesus CristoEnsaio sobre a CegueiraTodos os Nomes ou A Viagem do Elefante.

No ano de 2007 foi criada em Lisboa a Fundação José Saramago que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.” (José Saramago)

Discurso de José Saramago na Cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Literatura: 

Martin Luther King Jr (1929-1968), Pastor Baptista, Pacifista e Activista dos Direitos Humanos.

Martin Luther King conhecedor da profunda injustiça em que vivia a comunidade negra nos Estados Unidos, vítima de discriminação social e racial, iniciou, em 1955, um movimento de protesto e reivindicação que visava o reconhecimento dos direitos civis da população afro-americana. Inspirando-se em Mahatma Gandhi recorreu a métodos pacíficos de protesto, nomeadamente através da desobediência civil.

Um dos momentos simbólicos da sua luta foi a “Marcha sobre Washington”, em 28 de Agosto de 1963, uma manifestação pacífica que reuniu mais de 250.000 pessoas e na qual pronunciou um discurso inspirador, “I have a dream”, no qual descreve uma sociedade na qual negros e brancos possam viver em harmonia, prevalecendo a justiça, a paz e a liberdade.

Fruto da sua luta, em 1964, é aprovada a Lei dos Direitos Civis que garante, nos Estados Unidos da América, a igualdade entre negros e brancos. Nesse mesmo ano é agraciado com o Prémio Nobel da Paz em reconhecimento pelo seu papel no combate à desigualdade racial através da não violência.

A 4 de Abril de 1968, aos 39 anos, quando se preparava para mais uma marcha civil, foi assassinado a tiro por um supremacista branco.

No entanto o seu legado não morreu, as suas palavras e acções continuam a inspirar os defensores da igualdade de direitos.

“Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele.” (Martin Luther King)

Para saber mais: https://tvi24.iol.pt/dossier/50-anos-da-morte-de-martin-luther-king/5ac3babf0cf29778fd1ea9bd

STUPID BORDERS (Documentário)

“Repúblicas Mínimas”, projecto artístico de Rubén Martín de Lucas, vencedor do concurso Emergentes do Festival Internacional de Fotografia Encontros da Imagem 2018, em Braga.

Ver: https://vimeo.com/237301549

Durante um período contínuo de 24 horas, o fotógrafo espanhol  Rúben Martín de Lucas é o único habitante de um autoproclamado micro-estado de 100 metros quadrados cujas linhas limítrofes estão muito bem definidas e muito mal justificadas. São “estados ridículos, absurdos, (…) que nos convidam a reflectir sobre a natureza artificial e efémera de todas as fronteiras”, pode ler-se na sinopse do projecto Repúblicas Mínimas. “As fronteiras são fruto do nosso medo e imaturidade enquanto espécie”, justifica Rúben no vídeo, composto por várias séries fotográficas, visando questionar a ideia de nação: “Creio que um dia as fronteiras deixarão de existir e que as veremos como algo que fez parte do passado. Entretanto, decidi chamar a atenção para a nossa insensatez.” (https://www.publico.pt/2018/10/23/p3/fotogaleria/todas-as-fronteiras-sao-artificiais-e-efemeras-390747)

Contraluz “Backlight” (Filme)

Argumento e realização de Fernando Fragata. Produção: 2010.

Por vezes, quando o desespero põe em causa tudo na vida de uma pessoa, a única solução visível para terminar com o sofrimento parece ser terminar também a própria existência. Esta é a história de algumas dessas pessoas que, apesar da extrema descrença em que se encontram, vão acabar por compreender que o mundo não pára e que, por vezes, algo totalmente imprevisto pode mudar, para melhor, o curso das suas vidas. Agora, caberá a cada um usar isso a seu favor.

Ver: https://www.youtube.com/watch?v=dRTqFjflgto